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Crise na China: como risco energético no país pode afetar agronegócio brasileiro

4 novembro 2021 Posted by: Trivela Notícias

Brasil e China possuem estreitas relações comerciais em diferentes segmentos do mercado. Com o agronegócio, a situação não é diferente. Até por isso, a possibilidade de crise energética no país asiático tem causado preocupação em produtores rurais, que podem sofrer com perda de produtividade em seus cultivos.

Os chineses têm sofrido com uma série de apagões, o que atrapalha também o trabalho das indústrias. Isso acontece em diferentes províncias e regiões, sendo um problema nacional. A alternativa encontrada foi diminuir o consumo de energia a fim de reduzir a demanda e evitar maiores dores de cabeça.

Como pode afetar então o nosso agronegócio? Esses problemas na China ocorrem em meio ao aumento das exportações – é o principal parceiro comercial do Brasil, correspondendo a 34% das negociações. Dois dos produtos são fertilizantes e defensivos agrícolas, comumente usados em plantações brasileiras.

Impacto no agronegócio brasileiro

A crise energética e o cenário de incertezas já impactam diretamente no agronegócio brasileiro. Isso acontece porque a produção de defensivos e fertilizantes está mais cara, o que afeta toda engrenagem, pois leva ao aumento de preços dos produtores rurais, bem como os custos dos grãos e dos alimentos cultivados.

Fora esse fato, as autoridades do país asiático têm trabalhado para reter alguns dos produtos que seriam enviados para outras partes do mundo. Afinal, existe a preocupação que a crise energética interfira nas produções industriais. Desse modo, poderiam faltar suprimentos dentro do próprio território, gerando desabastecimento.

Como o Brasil depende das importações de defensivos agrícolas chineses, a produção e o desenvolvimento de grãos e outros tipos de plantações está ameaçada. Há assim dificuldades para eliminar possíveis pragas, como as ervas daninhas que nascem de modo espontâneo no meio do cultivo e prejudicam seu desenvolvimento.

Se situações como essas ocorrerem, existe a preocupação direta pelo aumento nos custos dos alimentos.

O outro lado da crise energética

Ao mesmo tempo, a crise energética também se mostra uma oportunidade de crescimento para o agronegócio brasileiro. Isso porque a China tem encontrado dificuldades na produção de grãos, pois toda sua cadeia está em xeque.

Entre janeiro e outubro, a produção nacional do Brasil exportou 79 milhões de toneladas. Com a indefinição no país asiático, esse valor com certeza vai aumentar além do esperado, o que beneficia os produtores rurais daqui.

Quais foram as causas da crise chinesa?

Os especialistas apontam diferentes temas como responsáveis pela crise no setor energético do gigante asiático. Há o aumento do consumo durante o período de transição na pandemia de Covid-19. A demanda por energia registrou crescimento de 15%, enquanto a oferta subiu somente 5%.

Além disso, o cenário climático mais desafiador é outro motivo. A China é considerado um dos principais poluidores do mundo, principalmente pelo uso de combustíveis fósseis na produção de energia. A necessidade de redução aliada a fontes renováveis ainda tímidas em todo território nacional leva a um cenário incerto.

Isso porque houve aumento no preço do gás e restrições na queima de carvão, dois dos principais meios de gerar energia. Desse modo, gerou redução nos lucros das empresas do setor, o que não estimula a produção ou o aumento da oferta.

Há ainda outros impactos trazidos pela pandemia, como aumento no preço do frete marítimo, escassez de contêineres e lentidão nos serviços portuários. Esses motivos são apontados por especialistas como fatores que levaram à crise energética que hoje impacta diretamente no agronegócio brasileiro e mundial.

O que fazer no agronegócio brasileiro?

A falta de fertilizantes e defensivos agrícolas exige planejamento por parte dos produtores brasileiros. Eles devem analisar como está o cultivo para alinhar ações, já que há desafios na importação dos produtos oriundos da China.

O mercado nacional, infelizmente, ainda não supre as necessidades. De acordo com a Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), os produtores utilizaram 23,9 milhões de toneladas desses insumos. Entretanto, apenas 15% são brasileiros.

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