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De Norte a Sul: como o clima pode interferir no cultivo e afetar o mercado de commodities

18 dezembro 2020 Posted by: Trivela Notícias

O produtor acorda cedo todas as manhãs e vai ao campo para cuidar de suas plantações. Ele trabalha duro. Acerta o que é preciso, mexe na muda e na terra. Mas, nada disso vai adiantar se ele não tiver um aliado essencial nesse processo: o clima.

A agricultura possui papel fundamental na economia brasileira. Não à toa, corresponde, em média, a 20% do PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todas as riquezas do país. Desse modo, é algo que merece atenção e pode ser duramente afetado por condições climáticas desfavoráveis ao cultivo.

Temperaturas muito altas ou baixas, falta ou excesso de chuvas, ventos. Muitas vezes uma combinação desses fatores relacionados ao clima pode afetar o desenvolvimento de sua produção agrícola em todas as etapas, do plantio à irrigação e colheita.

Interferência do clima na agricultura

Antes de iniciar a lavoura, o produtor precisa definir quais são os riscos. Entender sua localização geográfica, a média térmica ao longo dos meses do ano, o índice pluviométrico, o clima de uma maneira geral. A temperatura e precipitação são duas causas que podem levar ao aumento ou perda da produtividade.

Um exemplo desse antagonismo é visto entre o milho e a soja. O primeiro precisa ser cultivado em temperaturas acima dos 30ºC, geralmente entre 32ºC e 35ºC. Já a outra aceita temperaturas um pouco mais amenas, entre 20ºC e 30ºC. Só que essas duas culturas têm sofrido com o estresse hídrico no país – um quarto das regiões produtoras dessas sementes no Brasil está sob essa condição devido às chuvas irregulares.

Assim como a falta de água causa problema, o excesso dela pode destruir as plantações e levar o produtor às perdas não apenas na cultura, mas também econômicas. É o mesmo caso que acontece com os ventos e a radiação solar. Uma combinação deles ainda ocasiona o aparecimento de pragas, que costumam gostar de umidade e temperaturas elevadas, principalmente os insetos e fungos.

É fundamental para o produtor ocorrer um equilíbrio em relação ao clima, pois isso aliado a boas práticas de cultivo vai ajudar no desenvolvimento e produção da cultura.

Mercado de commodities

As alterações provocadas pelo clima não afetam apenas as plantações, mas também podem chegar aos grandes centros urbanos por meio do mercado de commodities – produtos que funcionam como matéria prima, entre eles soja e milho –, nas principais bolsas, como Chicago, nos EUA; Rosário, na Argentina; e Ibovespa, no Brasil.

Isso porque as variações climáticas podem alterar a oferta de grãos. Assim, há uma interferência na conhecida lei da oferta e da procura. Essa lei diz que quanto maior o interesse pelo produto e menor a disponibilidade, maior o preço. Por outro lado, quando há um menor interesse, porém maior disponibilidade, o preço diminui.

Vale ressaltar que há outros fenômenos do clima responsáveis por alterar a produção de grãos e, consequentemente, alterar o preço das commodities. O El Niño e La Niña são casos emblemáticos que provocam alterações na temperatura e no volume e distribuição das chuvas nas Américas do Norte, do Sul e Central. Entretanto, não são apenas fatores climáticos capazes de interferir nas commodities. Tensões políticas e guerras comerciais entre países também são responsáveis pela subida ou descida nos valores.

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